BCE mantém taxas de juro
O Banco Central Europeu (BCE) decidiu deixar as taxas de juro diretoras inalteradas, confirmando as expectativas dos mercados, que já antecipavam que a autoridade monetária europeia não mexesse nos
juros, num momento marcado pela escalada das “yields” das obrigações francesas.
A decisão ocorre no dia em que a presidente Christine Lagarde anunciou que vai sair do cargo a 7 de fevereiro.
Depois de ter subido as taxas de juro em 25 pontos base no encontro de setembro, o BCE deixou tudo igual ao fim da sua reunião de dois dias.
A taxa de Facilidade Permanente de Depósito permaneceu esta quinta-feira nos 2,50% e as taxas de refinanciamento e de cedência de liquidez em 2,65% e 2,90%, respetivamente, níveis atingidos em setembro com o segundo aumento de 25 pontos base deste ano.
A decisão do BCE surge num momento que França enfrenta uma situação delicada, com os juros das obrigações do país a escalarem num contexto de elevados défices públicos, um impasse orçamental, protestos de rua e uma eleição que suscita divisões no próximo ano. Um verdadeiro “cocktail” explosivo que levou o prémio de risco das obrigações francesas a dez anos a quase duplicar em relação ao valor de referência alemão ao longo das últimas semanas.
Apesar de não ter mexido nos juros, a entidade reconhece que “os preços da energia continuaram a subir, colocando riscos em alta para as perspetivas de inflação e riscos em baixa para as perspetivas de crescimento.
O conselho de governadores acrescenta que, “embora os efeitos totais do choque energético ainda estejam a fazer-se sentir, a inflação subjacente manteve-se, até agora, relativamente estável e os salários não revelam, nesta fase, uma reação significativa”.
O BCE assume ainda que “é provável que a maior dimensão e duração do choque energético, bem como as suas implicações para os efeitos indiretos e de segunda ordem, contribuam para aumentar a inflação e reduzir o crescimento”, reconhecendo que “as condições de financiamento tornaram-se mais restritivas desde a última reunião do Conselho do BCE, o que deverá pesar sobre a inflação e o crescimento”.
Nova subida em dezembro
Num momento em que a situação no Médio Oriente continua a refletir-se num agravamento dos custos da energia, com impacto generalizado nos preços, o conselho do BCE reitera que vai “definir a política monetária de forma a garantir que a inflação estabiliza no seu objetivo de 2% no médio prazo”, um sinal que poderá estar preparado para continuar a subir juros, aliás como o próprio mercado antecipa.
O comunicado realça ainda que o BCE “continua bem posicionado para fazer face ao atual nível elevado de incerteza” e “seguirá uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião para determinar a orientação adequada da política monetária”.
“As decisões do Conselho do BCE sobre as taxas de juro terão por base a sua avaliação das perspetivas de inflação e dos riscos que as rodeiam, à luz dos novos dados económicos e financeiros, bem como da evolução da inflação subjacente e da eficácia da transmissão da política monetária”, assegura o conselho, que “não se compromete antecipadamente com uma trajetória específica para as taxas de juro”.
Quanto aos programas de compra de ativos, o BCE nota que “as carteiras do APP e do PEPP estão a diminuir a um ritmo moderado e previsível, uma vez que o Eurosistema já não reinveste os montantes de capital reembolsados dos títulos que chegam à maturidade”.



